As mais belas galinhas das aldeias dão nas vistas lá fora. Paulo Marcelo, designer, explica o conceito dos cartazes simples e genuínos

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São cinco galinhas, cinco cartazes, e uma escolha internacional entre cerca de 1600 trabalhos de mais de 400 artistas de todo o mundo. Os cartazes, com as galinhas em destaque, do projeto “Há Festa na Aldeia”, foi um dos 22 selecionados da edição 2018 da “Selected Europe – Visual Inspiration from Bilbao Bizkaia”, integrada na Bilbao Bizkaia Design Week. O único trabalho português escolhido neste festival de Design. “O processo criativo baseou-se numa ideia simples com um enfoque no humor”, revela o designer Paulo Marcelo, autor da ideia e do conceito dos cartazes das galinhas.

“Na minha opinião, este trabalho foi escolhido pela sua simplicidade, originalidade e também por ser muito genuíno. Pela forma como fui tratado em Bilbau, percebi que temos muito em comum com algumas regiões de Espanha, nomeadamente com a Catalunha, País Basco e Galiza, regiões de onde são provenientes a maioria dos jurados”, refere. “Poderá ser uma boa oportunidade para internacionalizar o Festival ‘Há Festa na Aldeia'”, acrescenta.

Há três anos, Paulo Marcelo conheceu o fotógrafo holandês Alex Ten Napel, habituado a tirar retratos a galinhas. “Quando verifiquei a qualidade do seu trabalho juntei a sua experiência em retratar aqueles animais à filosofia e espírito do festival ‘Há Festa na Aldeia'”, recorda. O designer, que trabalha a imagem do evento desde a primeira edição em 2013, focou o conceito na ruralidade e sua envolvência. “Neste quadro, não podemos deixar de parte as galinhas. As aldeias, sendo do norte, centro ou sul do país, todas têm galinhas e galos. É um elemento transversal e um animal com um perfil gráfico interessante”, explica.

“Na minha opinião, este trabalho foi escolhido pela sua simplicidade, originalidade e também por ser muito genuíno”, sublinha o designer Paulo Marcelo.

Conceito acertado, fotógrafo convidado, casting às galinhas. Os galinheiros das aldeias foram passados a pente fino. Cada aldeia apresentou alguns animais e, no final, cinco galinhas destacaram-se. “A recolha das fotografias demorou cerca de uma semana e envolveu alguma logística sofisticada tal como transportar um estúdio de fotografia até aos galinheiros. Foram fotografadas, em média, sete galinhas por aldeia, num total aproximado de 35 animais. As sessões fotográficas do Alex Ten Napel foram acompanhadas pela equipa de produção”. Paulo Marcelo também acompanhou o processo.

“Para além da simplicidade do conceito, a genuinidade do resultado surpreendeu toda a gente. No sentido de dar mais informações sobre as galinhas selecionadas, decidimos acrescentar uma espécie de informação identitária dos animais nos próprios cartazes. Inscrevemos ao lado das fotos o nome científico da espécie, o nome familiar, a idade, o proprietário e o local de ‘residência'”, refere o designer e professor no Isvouga, instituto  de ensino superior em Santa Maria da Feira.

Desde a primeira edição que há galinhas nos cartazes do “Há Festa na Aldeia”. “Este ano, convidámos o fotógrafo português Jorge Bacelar. Tem muita experiência em fotografar ambientes rurais e foca-se mais no retrato de pessoas. A particularidade é que fotografa as pessoas na companhia dos seus animais. Desta forma, direta ou indiretamente as galinhas terão sempre um lugar de destaque na comunicação deste evento”.

O júri, composto por designers e diretores de escolas superiores de design de Espanha, selecionou os 22 trabalhos para uma exposição coletiva e para entrarem no anuário do festival. Os trabalhos escolhidos são apresentados como referências inspiradoras aos participantes neste festival espanhol, na sua grande maioria estudantes de design, e com intervenções de designers e estúdios da área consagrados como Verónica Grech, Emilio Gil, Pentagram, Studio Banana, entre outros.

 

 


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- Dezembro 2, 2018

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