Estatuto e honra: Museu de Santa Maria de Lamas acaba de entrar na Rede Portuguesa de Museus

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O Ministério da Cultura acaba de reconhecer a certificação do Museu de Santa Maria de Lamas, do concelho de Santa Maria da Feira, como novo membro da Rede Portuguesa de Museus (RPM). O despacho é publicado esta segunda-feira em Diário da República.

A integração neste rede é o culminar de um processo que começou há mais de nove anos e que honra e enriquece o espaço e sua equipa, bem como o seu estatuto na região e o próprio posicionamento no panorama museológico português.

“Um reconhecimento que é extremamente importante para o Museu, que tributa todos os diferentes momentos evolutivos do trabalho realizado neste espaço desde 2004 (ano que marcou o início da sua requalificação), definindo-se como um claro ‘símbolo de qualidade’ do trabalho da equipa que dinamizou e dinamiza o Museu de Santa Maria de Lamas”, sublinhou o espaço museológico.

A candidatura obrigou, entre muitas outras diretivas e ações, a garantir o reforço e consolidação da equipa do Museu, a promoção e aumento de atividades interpretativas e educativas, tal como o melhoramento das acessibilidades, da sinalética interna e externa (de mobilidade e interpretação), a reorganização do espaço das reservas e a exaustiva elaboração de documentos específicos, técnicos, científicos e obrigatórios para a credenciação.

Com esta integração, o Museu ganha maior notoriedade, maior valorização e qualificação no quadro da realidade museológica nacional. Assim sendo, neste enquadramento, a direção garante que trabalhará em harmonia com os valores desta rede, que promove uma maior cooperação institucional e a articulação entre museus, promovendo e assegurando o rigor e o profissionalismo das práticas museológicas e das técnicas museográficas implementadas e a implementar.

Para além desta componente, a integração na dinâmica da RPM permitirá ao Museu inspirado, auxiliado e em consonância com outras estruturas e parceiros da Rede, a possível candidatura a fundos nacionais e comunitários destinados exclusivamente a museus integrados na Rede Portuguesa de Museus. Assim como, qualificar ainda mais a equipa técnica do museu, através da realização de ações de formação especializada.

Um caso particular da museologia nacional 

Popularmente apelidado de “Museu da Cortiça”, o Museu Santa Maria de Lamas constitui um caso particular na história da museografia portuguesa do século XX. Pela sua diversidade e exposição, é um recurso cultural e museológico único, que marca a história do colecionismo privado e pessoal (de meados da centúria de novecentos), do mercado de arte e da museologia portuguesa ao tempo do Estado Novo.

Resultante do espírito colecionista do seu fundador, o benemérito e industrial “corticeiro”, Henrique Amorim (1902-1977), o MSML destaca-se pela quantidade, qualidade e variedade (tipológica e temporal), do seu espólio. Um verdadeiro acervo plural, recuperado e reorganizado do ponto de vista museológico e museográfico a partir de 2004, que apresenta coleções de Arte Sacra, Estatuária Portuguesa, Etnografia, Ciências Naturais, Escultura em Cortiça/aglomerado de Cortiça e Arqueologia Industrial. Esta última coleção, além de evidenciar as potencialidades desta matéria-prima, reflete a identidade da comunidade local e constitui uma verdadeira herança cultural que o Museu visa conservar, estudar, difundir e valorizar de forma integral.

Dada a ligação do fundador do Museu à indústria transformadora da cortiça, bem como à implantação do Museu em território corticeiro, cumprindo e exaltando o seu desejo de homenagear esta matéria-prima, ao longo da exposição permanente, têm sido incluídas réplicas, em cortiça e derivados, das obras mais emblemáticas do espólio – como é o caso do núcleo de escultura medieval.

Assume-se como um espaço de reflexão, estudo e investigação de uma realidade que moldou toda a História de uma terra. Um espaço socialmente ativo, cultural e pedagogicamente relevante, pela evocação de histórias e estórias, contribuindo dessa forma para aprofundar e divulgar o conhecimento do património.


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- Agosto 27, 2018

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