O investimento está a chegar à aldeia do Porto Carvoeiro à boleia do Douro

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O estatuto de Aldeia de Portugal e a sua vista sobre o Douro começam a dar sinais de que a história do Porto Carvoeiro, um pequeno aglomerado esquecido da vila de Canedo, num extremo de Santa Maria da Feira, poderá mudar. O investimento privado despertou há dois ou três anos, à boleia da classificação como Aldeia de Portugal e de programas como o “Há Festa na Aldeia”, cuja edição de 2018 decorreu este fim de semana, que trazem visitantes curiosos que acabam rendidos a este recôndito lugar, outrora um símbolo do dinamismo económico. Era aqui que chegava o sal vindo do sul, o carvão do interior e onde acostavam os barcos que transportavam o Vinho do Porto.

O novo fôlego do Carvoeiro já se começa a sentir. Casas em reconstrução, outras já reabilitadas, negócios de terrenos por quem olha para este lugar como uma oportunidade a explorar de conciliar a beleza do Douro com a tranquilidade e a pacatez tão procuradas pelas gentes das grandes cidades.

À beira rio e com som de fundo das gaitas de foles e dos tambores, enquanto gente de muitas proveniências matava a sede ou saboreava os petiscos carinhosamente preparados pela povoação, com o rio mesmo ao lado, o presidente da Junta de Canedo, Paulo Oliveira, confirma esse novo fôlego. “Começa a haver algum movimento no âmbito da reabilitação urbana, não só porque este lugar está classificado como Área de Reabilitação Urbana, que para os investidores traz benefícios fiscais, mas também porque as pessoas sabem que este território tem uma paisagem lindíssima e potencialidades para crescer e estão a fazer, a título particular, os seus investimentos cá”, afirma.

“[O deslumbramento pela paisagem sui generis e a ruralidade do lugar] atrai as pessoas a investir na aldeia e nota-se, há dois, três anos, um conjunto de investimentos na reabilitação de habitações e em alguns projetos para dotar o lugar com uma oferta mais diversificada no âmbito do turismo”, afirma o presidente da Junta de Canedo, Paulo Oliveira.

Na perspetiva do autarca, a sua classificação como Aldeia de Portugal foi “uma aposta ganha” e abre outros horizontes a um lugar que já foi uma referência, tanto que nos mapas antigos se encontram mais facilmente alusões ao Porto Carvoeiro do que à própria freguesia de Canedo.

Esse investimento a que se assiste em Canedo vem de fora do Concelho. “É sobretudo de quem nos visita e que sente algum deslumbramento por encontrar uma paisagem sui generis, um núcleo que é ainda muito rural, que tem algumas especificidades a nível arquitetónico. É isso que atrai as pessoas a investir na aldeia e nota-se, há dois, três anos, um conjunto de investimentos na reabilitação de habitações e em alguns projetos para dotar o lugar com uma oferta mais diversificada no âmbito do turismo”, nota o autarca.

As cerca de oito dezenas de moradores do lugar sentem esse movimento e não escondem alguma apreensão. O lugar sossegado, quase familiar, em pouco tempo se pode tornar um lugar para turistas. Paulo Oliveira espera que o problema que hoje afeta as zonas históricas de Lisboa e Porto não se repita em Porto Carvoeiro. “Gostávamos que houvesse uma simbiose entre os investimentos feitos por quem nos visita e que são importantes para o território e a preservação das características peculiares deste lugar”, diz.

 

Um lugar que só era lembrado em dia de eleições quando aparecia uma carrinha para transportar os moradores às urnas.

O centro de Canedo e a própria sede do Concelho continuam muito longe do Porto Carvoeiro. Durante muitos anos, o lugar só era lembrado em dias de eleições quando aparecia uma carrinha para transportar os moradores às urnas de voto. A freguesia e o concelho viviam de costas para esta paisagem e para esta auto-estrada fluvial que é o Douro.

Paulo Oliveira afirma que da parte do Município há “uma maior abertura a alargar horizontes e investimentos”, mas “falta aquilo que antigamente havia e agora é mais restrito”, referindo-se aos apoios comunitários. E os que vão existindo são captados, em primeira instância, pelos municípios mais próximos do Douro Vinhateiro.

Para o Porto de Carvoeiro, está previsto um cais de acostagem e possivelmente este ano poderá avançar a construção de um passadiço que ligará o lugar ao corredor que “parou” onde o rio Inha encontra o Douro. Um percurso de aproximadamente cinco quilómetros (dois dos quais já construídos, na margem do Inha) a par dos dois rios, que oferecerão vistas sobre paisagens naturais arrebatadoras.

A autoestrada A-32, que tanta celeuma causou na fase de construção aproximou Canedo do Porto. Por arrastamento o Porto Carvoeiro também ficou mais próximo dos municípios de maior densidade urbana da Área Metropolitana do Porto, encurtando a distância das deslocações para quem deseje descobrir este pedaço de território ou para investir em outras áreas. Paulo Oliveira tem sido procurado por empresas que se pretendem instalar na freguesia, o que torna imperiosa a ampliação da zona industrial, onde não há lotes disponíveis para venda.

  

“Há Festa na Aldeia”, romaria de São Lourenço em Agosto e concerto de piano a quatro mãos em Setembro

Os dois dias do programa Há Festa na Aldeia dirigiram o foco para o Carvoeiro, que se voltou a encher de gente, que saboreou petiscos, que se deixou levar pela música de raiz e popular, pela animação de rua, pelos jogos tradicionais, pelos passeios de kayak. Tudo com o Douro ali ao lado, rasgado pelas embarcações que a toda a hora sobem e descem o rio.

Foi o “Há Festa na Aldeia” que em meados de agosto de 2013 recuperou a romaria em honra de São Lourenço, mas este ano, os programas separaram-se. A festividade de São Lourenço chegará em Agosto, com o Município a reservar um terceiro momento para o dia 15 de setembro, no âmbito do projeto de descentralização cultural Artes em Itinerância. O Porto Carvoeiro receberá ao final da tarde, às 19h00, um concerto de piano a quatro mãos, ao ar livre, pelo pianista feirense Ricardo Vieira e pelo japonês Tomohiro Hatta. Se o clima ajudar, será um fim de tarde memorável.


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- Julho 10, 2018

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