O primeiro de 400 dias da reabilitação da EN-223 entre Feira e Arrifana

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O relógio começou a contar. Faltam 400 dias (pouco mais de 13 meses) para se concluírem as obras de reabilitação da EN-223, entre Arrifana e Santa Maria da Feira, estimadas em dois milhões de euros, metade dos quais afeta a pavimentações. O auto de consignação da empreitada foi assinado esta sexta-feira, no Salão Nobre da Câmara da Feira, numa cerimónia presidida pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

“É uma obra que vai ter um impacto muito importante na mobilidade de pessoas e mercadorias, numa região densamente povoada, também na perspetiva económica e industrial”, salientou o ministro.

Mais fluidez e segurança ao longo dos seis quilómetros são os objetivos da intervenção que contempla a construção de três rotundas – na Godinha (Escapães), no cruzamento dos semáforos (Sanfins) e junto ao acesso para o complexo desportivo do Feirense (Sanfins) – repavimentação, reformulação dos sistemas de drenagem, substituição da sinalização vertical, iluminação pública nas rotundas e colocação de barreiras sonoras.

 

“É absolutamente fundamental encontrar uma solução para a interceção entre a A1 e a EN-223, na Cruz. A cidade atravessou a estrada, cresceu para norte e hoje temos milhares de pessoas a viver do lado norte, sem um atravessamento digno para pessoas e viaturas”, defendeu Emídio Sousa, presidente da Câmara da Feira.

 

Emídio Sousa manifestou ao ministro o seu contentamento pelo “início da obra, que chega com atraso de vários anos”, por causa das cativações, e que é “uma pequena parte da necessária reabilitação da EN-223”, porque, no seu entendimento, falta resolver o problema dos nós da Cruz e de Picalhos na cidade da Feira. “É absolutamente fundamental encontrar uma solução para a interceção entre a A1 e a EN-223, na Cruz. A cidade atravessou a estrada, cresceu para norte e hoje temos milhares de pessoas a viver do lado norte, sem um atravessamento digno para pessoas e viaturas”, defendeu o autarca. E se o famigerado túnel é inviável, por causa do custo, o Município mostra-se disponível para colaborar e ser parceiro numa solução alternativa para estas duas situações que “estão a estrangular o centro da cidade”.

A reabilitação da EN-223 não faz esmorecer a ambição da ligação Feira-Arouca, “reclamada há mais de 20 anos” e que justificou uma promessa feita em Arouca pelo então primeiro ministro José Sócrates. “Há projeto de execução adiantado e, ao que julgamos saber, só falta autorização do Ministério das Finanças”, afirmou Emídio Sousa, considerando “inaceitável Arouca não ter uma ligação rodoviária adequada” que é “fundamental” para uma região que é a “mais exportadora de Portugal”.

Esgrimindo números, o autarca lembrou que Santa Maria da Feira é o nono concelho mais exportador do País com 1.362 milhões de euros de exportações por ano, que “na realidade são mais, porque algumas das nossas empresas têm as suas sedes noutros distritos por razões fiscais”.
Juntando Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis, seria uma região “mais exportadora do que a Suíça e com um PIB superior”. Argumentos para sustentar a sua tese de que “toda a riqueza aqui produzida, todo o valor acrescentado que traz ao País, é depois investido noutros sítios. Até as pequenas obras, aqui demoram demasiado tempo”.

 

A Linha do Vouga e o “aeroporto” da Base de Maceda

A Linha do Vouga, que o seu homólogo de São João da Madeira também abordara uma hora antes no lançamento da empreitada de reabilitação da ER-227 entre a cidade do trabalho e Vale de Cambra, também não foi esquecida por Emídio Sousa. Os três concelhos que atravessa representam cerca de 300 mil habitantes, com uma atividade económica e um movimento de pessoas interno “tremendos”, precisam, segundo o autarca, de uma ligação à Linha do Norte, à rede de comboios suburbanos do Porto e ao aeroporto Sá Carneiro. Isso implica uma alteração para bitola ibérica, inserção na rede de suburbanos do Porto, eletrificação, melhoria da linha e das estações. Está em causa um investimento “caro”, constatou o presidente da Câmara da Feira, mas para o qual está a ser desenvolvido um estudo pela Universidade do Porto, que oportunamente será apresentado pela Área Metropolitana do Porto ao ministro do Planeamento e Infraestruturas.

E porque as notícias desta sexta-feira faziam referência ao limite de capacidade do aeroporto de Lisboa e à necessidade de mais uma pista no aeroporto do Porto, Emídio Sousa sugeriu a Pedro Marques o recurso à pista da Base Aérea de Maceda, preparada para receber voos militares e civis, como acontece noutros pontos da Europa. “Poderia perfeitamente acolher, num futuro próximo, sem grande investimento, voos civis. Muitas vezes discutimos novos aeroportos com investimentos de centenas de milhões de euros, quando soluções baratas e eficazes, estão mesmo ao lado”, disse, lembrando que a Base de Maceda está perto da Linha do Norte e de duas autoestradas (A1 e A29).

Ministro destaca investimento na região

O ministro do Planeamento e Infraestruturas responderia a Emídio Sousa relativamente ao volume de investimentos do Estado na região. “Já aprovámos 1.500 milhões de investimento empresarial nesta região, cerca de 180 milhões em Santa Maria da Feira. Também aprovámos investimentos de base territorial de 14 milhões, boa parte executados pelas autarquias”, referiu o ministro.

Sobre a requalificação da Linha do Vouga, Pedro Marques explicou que “envolve a mudança de bitola e um esforço de investimento enorme”, mas remeteu a questão para a discussão iniciada há uma semana do programa nacional de investimentos, que continuará a dar prioridade à ferrovia.


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- Junho 29, 2018

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