Opinião

Filipe Moreira

Licenciado em Educação Básica e mestre em Ensino do 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico. Atualmente é doutorando do Programa Doutoral em Multimédia em Educação da Universidade de Aveiro, onde é investigador.

Adeus à Caixa Geral de Depósitos… ou não!

Aproxima-se mais uma onda de encerramentos de balcões da Caixa Geral de Depósitos, desta feita, no distrito de Aveiro tudo indica que encerram os balcões: edifício sede da CGD em Aveiro, Universidade de Aveiro, Avanca (Estarreja), Nogueira do Cravo (Oliveira de Azeméis) e Rio Meão (Santa Maria da Feira).

Estes encerramentos planeados na sombra e trazidos a público a “ferros” e com compreensível contestação das populações são lamentáveis e só explicados por uma gestão fortemente marcada por “uma política de desmembramento e desvalorização da CGD, numa autêntica operação de gestão danosa, para não dizer eivada de objetivos que pretendem retirar a CGD da esfera pública”, como referiu a Direção Distrital do PCP de Aveiro.

Lembremo-nos que o município da Feira assiste à segunda leva de encerramentos desde 2016.

Da CGD como banco público esperava-se que estivesse ao serviço do país e de uma estratégia nacional de desenvolvimento. No entanto, ao longo dos anos tem servido como arma de especulação, de retaguarda de salvamento de banqueiros e de bancos falidos por gestão danosa e de assegurar de lugares bem remunerados a “cidadãos de bem” que têm “servido” o seu país (ou partidos como quem diz) sendo a sua mais bela demonstração de Ego a sua megalómana sede inaugurada em 1994.

“Para evitarem a já esperada contestação das populações, em Rio Meão oferecem um cartão sem anuidade durante um ano. Claro que está que a real intenção desta ‘oferta’ é a de fidelização de clientes que ao final de um ano se mantiverem o serviço terão de o pagar”

A título de exemplo, reflita-se sobre o não contributo da CGD para a solução de problemas do país, como seja a especulação imobiliária e a atual situação que se vive neste sector. A CGD sendo detentora de inúmeros imóveis, prefere manter muitos desses encerrados e a apodrecer do que fomentar uma política proativa de utilização destes recursos para contrariar esse fenómeno, como seria de esperar de um banco ao serviço do país. No caso de Aveiro por exemplo, tudo indica que a sua sede irá dar lugar a mais um hotel, já em Lisboa são inúmeros os imóveis encerrados.

Atualmente assiste-se a uma destruição do banco público, em parte por imposições da Comissão Europeia, no âmbito da recapitalização pública do banco, aceite pelo Governo e pela administração da Caixa Geral de Depósitos, que visa a venda das representações deste banco em Espanha e África do Sul (países com forte presença de portugueses), em parte pela própria administração que vai mais longe que as imposições e no ano passado ultrapassou o número de despedimentos acordado com a Europa.

“A CGD sendo detentora de inúmeros imóveis, prefere manter muitos desses encerrados e a apodrecer do que fomentar uma política proativa de utilização destes recursos para contrariar esse fenómeno, como seria de esperar de um banco ao serviço do país”

Face a esta realidade, ao desmembramento da CGD, ao encerramento de balcões sem critério aparente, principalmente quando se sabe que esta obteve lucros, cabe a todos a defesa do banco público ao serviço do país e das suas populações, com um serviço de proximidade e de qualidade.

Num momento como este esperava-se alguma dignidade das chefias da CGD. Ao contrário, desenvolveram todo este processo na sombra e sem critério aparente, como referido anteriormente. Para evitarem a já esperada contestação das populações, em Rio Meão oferecem um cartão sem anuidade durante um ano. Claro que está que a real intenção desta “oferta” é a de fidelização de clientes que ao final de um ano se mantiverem o serviço terão de o pagar.

Não quer dizer com isto que devemos abandonar a CGD, pelo contrário, devemos é exigir à sua chefia que execute uma gestão voltada para o desenvolvimento do país e das suas populações e que não seja mais um contributo para o agravamento das condições de vida dos portugueses. Devemos exigir que jogue limpo e de forma transparente.

Queremos uma CGD pública, forte, que não sirva para cobrir a retaguarda da banca privada e de interesses especulativos que apenas contribuem para o enriquecimento dos do costume.

Toda a solidariedade com as populações que têm saído em defesa dos balcões e da CGD livre de interesses.

 


Opinião - Junho 26, 2018

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