Modernização da Linha do Norte entre Espinho e Gaia avança em 2019, Ovar espera por 2020

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O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, veio a Espinho anunciar a abertura do concurso público para a modernização do troço Espinho-Gaia da Linha do Norte, no valor de 49 milhões.

Os trabalhos iniciam-se no terreno em junho de 2019, ao ritmo de seis horas por noite, para permitir que os comboios continuem a circular durante o dia, embora com tempos de viagem mais elevados. A empreitada tem uma duração prevista de um ano e meio e contempla, para além da substituição dos carris, travessas e balastro, a eliminação de passagens de nível, o alteamento e alargamento das plataformas de acesso de estações e apeadeiros e a renovação das estações da Granja e Gaia.

O troço entre Espinho e Ovar só deverá ter concurso lançado em junho de 2019, estimando-se que a obra, no melhor dos cenários, possa arrancar no segundo semestre de 2020.

O presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro não se conforma com o “adiamento” e o ministro teve o cuidado de explicar que a obra não avança em simultâneo nos dois troços para que a falta de qualidade da circulação e o aumento do tempo de percurso não se tornem “insuportáveis para os utentes”.

 

“Não posso ficar satisfeito ao saber que a requalificação da Linha do Norte, no troço de Ovar está adiada, se correr bem, para 2020” afirmou Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar.

 

“Não posso ficar satisfeito ao saber que a requalificação da Linha do Norte, no troço de Ovar está adiada, se correr bem, para 2020” afirmou o autarca de Ovar à margem da sessão realizada em plena estação de Espinho. Considerando que “estão em causa as condições de segurança da própria linha”, questiona “quantas mais pessoas terão que morrer, para a obra ter o seu início entre Ovar e Espinho”, nomeadamente a requalificação das estações. “Estamos a ouvir promessas desde 2006, é tempo que chegue”, rematou.

O ministro do Planeamento e Infraestruturas sublinhou a aposta deste governo na ferrovia, que se traduz em obras nas principais linhas do País, ao abrigo do plano Ferrovia 2020, e um investimento na ordem dos 2.000 milhões de euros, financiado em pouco mais de 50 por cento por fundos comunitários.

 

Supressão de três passagens de nível em Espinho

Pedro Marques ouviu elogios do presidente da Câmara de Espinho. Pinto Moreira felicitou-o por “honrar a sua palavra” e, com este plano, suprimir três passagens de nível no seu território, com a construção de uma passagem inferior rodoviária e uma passagem superior pedonal junto ao bairro piscatório da Marinha, Silvalde, e uma passagem inferior a norte do Rio Largo.

O autarca espinhense espera que num segundo momento – quando avançar o troço entre Espinho e Ovar – sejam suprimidas as passagens de nível de Paramos e do apeadeiro de Silvalde.

Depois de palavras de reconhecimento à Infraestruturas de Portugal pela colaboração na busca de soluções técnicas para aqueles atravessamentos e no uso do domínio público ferroviário, durante as obras de requalificação do canal ferroviário de Espinho, Pinto Moreira deixou uma terceira nota, apelando ao ministro Pedro Marques para que “não deixe morrer a Linha do Vouga”, que atravessa Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Feira e Espinho.

 

“A conexão da Linha do Vouga com a Linha do Norte deve ser um objetivo prioritário para este governo”, defendeu Pinto Moreira, presidente da Câmara de Espinho.

 

O autarca de Espinho, cujo município integra a Associação de Municípios Terras de Santa Maria, diz que estamos perante uma sub-região com “forte componente turística e com um peso empresarial e um setor exportador muito vincados”, para quem é “absolutamente necessária” uma ligação ferroviária ao centro do Porto.

“A conexão da Linha do Vouga com a Linha do Norte deve ser um objetivo prioritário para este governo”, defendeu, acrescentando que é “viável” e “deve ser requalificada” com novo material circulante, alargamento da sua bitola e eletrificação.

A Área Metropolitana do Porto encomendou um estudo sobre esta Linha que, em breve, será encaminhado para o gabinete do ministro.

Pedro Marques recordou que na próxima semana se inicia o debate nacional sobre o programa nacional de investimentos para a próxima década, onde as associações de municípios e associações setoriais são chamadas a carrear projetos prioritários através do qual, o governo pede às associações de municípios e associações setoriais, que comecem a carrear projetos prioritários, onde poderão caber não só a Linha do Vouga como a capacidade da Linha do Norte, no troço entre Ovar e Gaia.

“Estamos a tempo de escolher, estabelecer prioridades e cá estaremos, todos em conjunto, para continuar esta boa parceria na definição dessas linhas estratégicas para o país”, rematou o governante.


- Junho 12, 2018

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