TAN TAN TANN… Este festival traz PZ, moscas, um submarino e um manipulador a uma tanoaria de Esmoriz

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TAN TAN TANN é um festival internacional de artes performativas contemporâneas que vai na segunda edição e que tem lugar numa tanoaria em Esmoriz. Nada é por acaso. O nome TAN TAN TANN surge a partir das palavras tanoeiro, tanoaria, e do som tann. E o palco tem um significado especial. O TAN TAN TANN acontece na oficina da tanoaria Josafer, em funcionamento em Esmoriz. A 15 e 16 de junho a partir das 22h00. A entrada é livre. A organização está nas mãos da Imaginar do Gigante e da Junta de Freguesia de Esmoriz.

A segunda edição tem música eletrónica de PZ, dança de Joana Castro, fotografias de José Fangueiro, teatro que vem de Espanha, conversas exóticas e rock alternativo. “O projeto TAN TAN TANN une públicos a um evento transdisciplinar onde a arte ancestral da tanoaria se funde com a arte contemporânea. É devolver um lugar ancestral da comunidade a partir das práticas artísticas. Um potencial catalisador de novos meios de turismo e fixação das
populações. Um festival que envolve a cidade e a aproxima a sua comunidade com um sentido de pertença quer às artes, quer ao seu património”, adianta a organização.

“Estar numa tanoaria em funcionamento é aproximar e relacionar a arte da tanoaria com as suas gentes. É poder garantir a sua continuidade, é poder acolher novos conhecimentos e novas reflexões para as práticas artísticas. Podendo no futuro ser um espaço para a criação e difusão de novas linguagens artísticas. TAN TAN TANN, um lugar onde o passado lança o futuro para a expansão de um território artístico, cultural, museológico, ambiental e turístico”, acrescenta.

O festival abre com “Su8marino”, dança de Joana Castro, na sexta-feira às 22h00. Nesta peça, o performer é também observador, público, náufrago, construtor de camadas submersas, emergindo enquanto metáfora existencial. “Su8marino” é um ritual, é uma peça onde os espaços globalizados permanecem, entrelaçados num espaço pessoal, num corpo específico, cheio de referências.

Às 23h00, de sexta-feira, Paulo Zé Pimenta, PZ, entra em cena com a sua música eletrónica. PZ começou a fazer música no seu quarto com um computador, um sampler, e um ou dois sintetizadores, quando tinha 16 anos. À medida que foi aprendendo a mexer em máquinas e a tocar vários instrumentos, em modo autodidata, foi desenvolvendo uma sonoridade própria. PZ é o seu projeto mais intimista mas há outros que permitem ao músico viajar por sonoridades e estados de espírito divergentes, como Pplectro (alter ego que toma conta dos seu devaneios puramente eletrónicos), Paco Hunter (projeto que desenvolveu com o seu irmão Zé Nando Pimenta), e a Zany Dislexic Band (banda de improviso que conta também com Zé Nando Pimenta, Duarte Araújo e Sérgio Freitas).

No sábado, dia 16, às 22h00, chega “Exílio das Moscas”, projeto com uma clara dimensão artística performativa, em que as linguagens cénicas e audiovisuais convergem em temas como a emigração e imigração, o feminismo, racismo, abusos de poder, guerra, e a sátira política. Vem de Espanha e chega com chás, malas, fotografias a preto e branco, soldados de brinquedo, roupas vintage e outros elementos que fazem desta peça um imaginário compulsivo e extravagante que explora várias linguagens cénicas.

Uma hora depois, às 23h00, há conversas exóticas, ou outras, sobre a “Macaca Ramboia”. Diz-se que nos tempos mais antigos, os tanoeiros juntavam-se para confraternizar no final de uma grande jornada laboral. O trabalho era duro e a necessidade de descomprimir era necessária. Depois de tanto TAN TAN TANN,reuniam-se à conversa, a comer, a beber e a dançar, entre outras excentricidades. Nesta “Macaca Ramboia” replica-se essas e outras conversas dos tanoeiros.

À meia-noite, há rock alternativo e experimental com “O Manipulador”, ou seja, com Manuel Molarinho. Um homem, uma banda, ou mais do que isso. Pedais, loops, e quatro cordas desdobram-se em canções pegajosas. Neste universo, há ecos de Om ao lado dos Sonic Youth, laivos de punk do século passado pintados com o negro aveludado dos Morphine e dos Tindersticks. Acima de tudo, é notória uma confluência de estéticas que só a solidão deste manipulador permite conjugar. Manuel Molarinho é membro e fundador do projeto “Um ao Molhe”, das bandas “Madrasta”, “Burgueses Famintos”, e o seu mais recente projeto chama-se “Baleia Baleia Baleia”.


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- Junho 11, 2018

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