O futuro anda pelas salas do Colégio de Lamas com robôs, linguagem de programação, tablets e raízes

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Dinis Rondon tem sete anos, quer ser “médico das pessoas”, está no 2.º ano do 1.º ciclo no Colégio de Lamas. Uma pergunta, o dedo esticado no ar. Gosta da piscina da escola e está bastante envolvido no projeto que anda à volta das sementes, das plantas, das raízes. “Andámos a ver se conseguíamos enganar as raízes, mas não conseguimos. As raízes crescem sempre para baixo e é por isso que não conseguimos enganar as raízes”, conta. Ainda colocaram as raízes ao contrário, de pernas para o ar, mas nada feito. As raízes não se deixam enganar.

No edifício remodelado do Colégio de Lamas, inaugurado em novembro do ano passado para o pré-escolar e 1.º ciclo, há fotografias de pais e filhos nas paredes. O pré-escolar fica à esquerda, o 1.º ciclo à direita. Lá fora, um parque infantil para as brincadeiras dos mais pequenos do colégio e uma horta biológica com morangos, cebolinho, alfaces, batatas, e flores. Uma horta tratada e cultivada pelos alunos com a ajuda das educadoras e dos professores.

O Colégio de Lamas trabalhar para “ter alunos plenamente preparados para enfrentar um mundo global e tecnológico feito de imprevistos”, conforme sublinha Joana Vieira, diretora pedagógica da escola.

Lá dentro, espaços luminosos com materiais para brincar e para aprender, uma cantina, uma sala para a Educação Física, uma sala de aula do futuro, a única homologada do distrito de Aveiro, com tecnologias e materiais pedagógicos à disposição dos alunos. Há um corpo humano para ver por dentro, vulcões, puffs, sofás, um painel interativo. Uma sala para explorar, brincar, partilhar, questionar, aprender.

A sala do futuro tem tablets para os alunos e um painel interativo para explorar vários temas.

 

Carolina Silva também tem sete anos, quer ser violinista, adora a aula de Educação Física, e não esquece o que aprendeu sobre as partes que constituem as plantas. Clara Monteiro, de seis anos, adora ginástica e Estudo do Meio e quando for grande quer ser professora ou cabeleireira. E Tiago Oliveira, de seis anos, que sonha ser futebolista, garante que uma flor branca pode ficar azul. “Pusemos corante alimentar azul e a flor ficou azul”, confessa o aluno. A experiência foi feita na sala de aula. E a surpresa foi geral perante a mudança de cor.

No próximo ano letivo, o colégio terá todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao 12.º ano do secundário. O 1.º ciclo terá todos os anos de escolaridade.

Isabel Pereira, de sete anos, aproveita para lembrar que “as flores alimentam-se de água”. O que quer ser quando for grande? Historiadora ou estilista. Miguel Carvalho, de sete anos, gosta muito da sala do futuro que tem tablets, um painel interativo, vulcões, puffs, material para experiências. “Fizemos um robô”, informa o aluno que quer ser cozinheiro.

Os alunos numa aula de Educação Física numa das salas remodeladas do edifício do Colégio de Lamas.

 

Os alunos têm xadrez, música, teatro, linguagem de programação, e natação duas vezes por semana, além das aulas com o programa curricular e dos projetos que nascem da curiosidade. Uma educação a vários ritmos num colégio que deu os primeiros passos nos primeiros níveis de ensino. A estreia no pré-escolar e no 1.º ciclo do Colégio de Lamas surgiu como um desafio, uma oportunidade de mudança, a partir do momento em que o Governo fechou a porta aos contratos de associação com os estabelecimentos de ensino privados.

No próximo ano letivo, o 1.º ciclo terá todos os anos de escolaridade, do 1.º ao 4.º anos, e não apenas o 1.º e 2.º. E o pré-escolar deverá ter mais inscrições. Haverá mais espaços ocupados, mais recursos humanos contratados. Desta forma, o colégio terá todos os níveis do ensino obrigatório, do pré-escolar ao 12.º ano do secundário.

No próximo ano letivo, o Colégio de Lamas terá todos os níveis do ensino obrigatório, do pré-escolar ao 12.º ano.

Um ensino integral. “A ideia é criar ambientes que proporcionem outras competências às crianças”, refere Joana Vieira, diretora pedagógica do Colégio de Lamas. “O que nos interessa fazer é, através de pedagogia, ter o aluno no centro do seu próprio desenvolvimento”, acrescenta. Desenvolver competências, desenvolver conhecimentos. Porque tudo é importante: a criatividade, a capacidade de questionar, a vontade de resolver problemas, o trabalho colaborativo, investigar o que não se sabe e se quer saber, saber adaptar-se ao que aparece pela frente. “Ter alunos plenamente preparados para enfrentar um mundo global e tecnológico feito de imprevistos”, sublinha Joana Vieira.

 


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- Junho 10, 2018

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