Dezena e meia de produtores de fogaça da Feira começam a usar, a partir desta terça-feira, o selo de Indicação Geográfica Protegida, no embrulho ou na embalagem de cada fogaça que vendem ao público. Os selos foram distribuídos ao princípio da tarde, numa sessão pública no Salão Nobre do Castelo da Feira, a que se associaram também a Confraria da Fogaça e a autarquia e representantes dos produtores certificados.
“É o fim de um longo processo e o início de outro”, afirmou Alfredo Henriques, que seguiu de perto o início e a evolução da certificação do pão doce típico de Santa Maria da Feira, enquanto presidente da Câmara, e que agora o vê terminar, enquanto presidente do Agrupamento de Produtores da Fogaça da Feira. “Os produtores passaram por uma fase em que tiveram que fazer pequenos ajustamentos ao seu processo de produção, tiveram que se sujeitar a vistorias e agora terão que produzir conforme estipulado no caderno de especificações e conforme a tradição nos diz”, explica.
Os produtores estarão ainda sujeitos a auditorias regulares por parte da entidade certificadora, para que o consumidor tenha, em cada momento, “a garantia de que aquilo que vem comprar é uma verdadeira fogaça”.
Um dos novos papéis do Agrupamento de Produtores passará por sensibilizar as autoridades policiais e a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) para fazer cumprir a lei e travar as imitações. A partir de agora, a venda de fogaça da Feira está restrita aos 15 produtores que esta terça-feira receberam os selos de certificação, entre as quais duas grandes superfícies. “Outras casas não poderão vender fogaça da Feira. Podem vender outro pão qualquer, mas não lhe podem chamar fogaça da Feira, nem ter este formato dos quatro coruchéus”, alerta o presidente do Agrupamento.

“Orgulhoso com mais esta marca distintiva para o nosso território. Isto, às vezes, faz alguma inveja na vizinhança, mas com essa inveja podemos bem”, diz Emídio Sousa, presidente da Câmara da Feira.
Encerrando a sessão de entrega do selo aos produtores, o presidente da Câmara da Feira, Emídio Sousa, manifestou o seu orgulho com mais esta “marca distintiva” para o território. “Isto, às vezes, também faz alguma inveja na vizinhança, mas com essa inveja podemos bem e vamos em frente”, disse o autarca, sublinhando que “a fogaça é, verdadeiramente, um produto local muito apreciado em todo o país”.
A utilização do selo que garante o carater genuíno da fogaça da Feira é o corolário de quase duas décadas de trabalho, iniciado pela então Associação Comercial da Feira que criou o certificado de “Fogaça Prestígio” e posteriormente pelo Agrupamento de Produtores.
Diogo Almeida, do Café Castelo foi um dos produtores a quem o selo foi distribuído. A luta pela certificação também foi sua durante os anos em que presidiu ao Agrupamento. “Foi um processo muito complicado, não tivemos tantos apoios assim e foi levado a braços pelos produtores, tanto financeiramente como em tempo e dedicação”, diz, fazendo votos para que todos os estabelecimentos certificados continuem a produzir “todos os dias como demonstraram a quem fiscalizou” e atribuiu o selo.
Palavras-chave: Agrupamento de Produtores, Alfredo Henriques, Certificação, Emídio Sousa, Fogaça da Feira, IGP, Selo
- Maio 22, 2018
