Como apodrece uma relação? Rina, Rui e Cecília dão o corpo ao manifesto no próximo Imaginarius

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“Hanno” é uma performance que tem por base o apodrecimento de uma relação. Num cenário realista, o espetador é convidado a invadir o espaço privado de um casal numa ação banal do quotidiano conspurcado pela tensão mental e física. Pesadelo, terapia, raiva, angústia, disputas, batalhas de amor. “Hanno” será tudo isso e será apresentado no próximo Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira no dia 24 de maio às 22h40, no dia seguinte em dose dupla às 19h10 e às 23h00, e no dia 26 às 19h20 e 21h30. Sempre no Rossio.

Rui Paixão, criador, ator e palhaço. Rina Marques, criadora e bailarina. Cecília Costa, criadora musical e baterista. O trio compõe a equipa criativa de “Hanno”. Os três artistas de Santa Maria da Feira venceram a Call, chamada de apoio à criação local do Imaginarius 2018, com uma ideia. “Será uma performance provocadora para as artes de rua e pretende ser um acrescento positivo ao seu desenvolvimento, neste ano tão especial onde o Governo assumiu as artes de rua no seu panorama de apoio artístico. Temos como foco principal o desenvolvimento da dramaturgia e da sua concretização refletindo o espaço público dentro do privado desta relação”, revela Rui Paixão.

“Hanno foi um elefante branco oferecido ao Papa por um rei português. Relatos contam que o Hanno dançava e fazia vénias ao Papa”, conta Rui Paixão.

O filme “Mes Séances de Lutte”, de Jacques Dollon, funcionou como ponto de partida e o projeto entretanto cresceu para um encontro mais autobiográfico e menos exterior ao grupo. “Hanno foi um elefante branco oferecido ao Papa por um rei português. Relatos contam que o Hanno dançava e fazia vénias ao Papa”, revela. “Esta é a imagem que queremos refletir neste novo trabalho, a forma como facilmente domesticamos a nossa própria liberdade, seja no amor, no meio profissional, na política… É essencialmente um obrigar ao rompimento do estado domesticado e o dar lugar ao estado selvagem”, acrescenta Rui Paixão.

Tudo partirá de um universo hiper-realista. Um parque de estacionamento, um carro que chega e a partir daí surgem os pesadelos e o invisível torna-se visível. São 30 minutos intensos, sem paragem, e com a energia sempre a aumentar. Sem recurso à palavra mas com uma cumplicidade enorme entre os três intérpretes. “Prevemos que seja explosivamente energético. Baterista ao vivo, movimento, efeitos especiais… e uma história muito forte que vamos partilhar”.

O apodrecimento de uma relação. E relação é uma primeira pista. E como apodrece uma relação? “Uma relação começa a apodrecer quando investimos na tentativa louca de domesticar algo que na sua natureza só cresce se for livre. Criamos em busca dessa liberdade… olhar para o que existe antes da relação apodrecer e deixá-lo existir de uma forma metafórica através da dança, do teatro físico e da música”, responde Rui Paixão.


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- Maio 6, 2018

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