Concelhos

Transferência da Junta “passou uma certa linha” entre maioria e oposição

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O vereador social-democrata Paulo Cavaleiro considera que foi ultrapassada “uma certa linha” que existia no relacionamento entre a maioria socialista e a oposição PSD/CDS na Câmara de São João da Madeira. O motivo prende-se com a anunciada transferência dos serviços da Junta de Freguesia para os Paços da Cultura apresentada como “um facto consumado”. Mais do que a decisão é a “forma pouco cuidada” como foi tomada e comunicada que Paulo Cavaleiro critica, atendendo à história do processo.

A presidente da Junta, Helena Couto, confirmou na última assembleia de freguesia o fim de uma luta de vários anos, com a transferência em breve para os Paços da Cultura – antigos Paços do Concelho – onde funciona um auditório, um café concerto, espaço internet, o Arquivo Histórico da Cidade, galeria de exposições e Sala da Memória.

A mudança não implicará obras, nesta fase. O balcão de atendimento da autarquia funcionará no espaço Internet, libertando a funcionária do Município que será deslocada para outro serviço. No piso da galeria, ficará localizada a sala de reuniões e de atendimento personalizado ao cidadão, enquanto o arquivo será instalado no espaço do arquivo existente no piso do auditório.

O histórico do processo de que falou Paulo Cavaleiro na reunião do executivo municipal desta quinta-feira tem a ver com as sucessivas propostas de reinstalação dos serviços da Junta de Freguesia no tempo da gestão social-democrata, que passaram sempre por edifícios emblemáticos da cidade, entre os quais os Paços da Cultura.

Para o social-democrata, a mudança poderá ser boa para o serviço da Junta de Freguesia, mas, na ótica do cidadão, deixará de estar localizado num espaço onde se concentram os serviços da Câmara, da Loja do Cidadão, Finanças e Águas de São João e não terá o espaço de estacionamento que hoje dispõe.

Paulo Cavaleiro alertou ainda para o facto de o edifício ter sido requalificado com recurso a fundos comunitários e, nesses casos, terá que se manter fiel aos fins estabelecidos durante um período após o investimento, podendo esse prazo ainda não se ter esgotado.

Na resposta, o presidente da Câmara, Jorge Sequeira, alegaria que não tivera a intenção de “desvalorizar, nem subtrair” o PSD à discussão, que tem existido sempre que estão em causa “assuntos estruturais”. “Como tive a oportunidade de explicar na Assembleia, não é uma questão definitivamente acertada”, acrescentou.

Quanto ao uso dos Paços da Cultura, crê que não suscitará problemas, porque se manterão em funcionamento o espaço internet, o auditório, galeria de exposições e a venda de bilhetes continuará a processar-se, através da Junta de Freguesia. O autarca acredita que a instalação daqueles serviços irá revitalizar o edifício e permitirá ao Município recuperar uma funcionária e afetá-la a outra área. O desafio, agora, é pensar num outro serviço para as instalações que a Junta de Freguesia libertará no Edifício Municipal.


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Concelhos - Maio 4, 2018

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