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Cirurgia de Ambulatório de São João vai alargar leque de patologias a tratar

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Sérgio Miguel Correia, 44 anos, operário corticeiro, de Santa Maria de Lamas, foi o utente número 35.000 intervencionado na Unidade de Cirurgia de Ambulatório do Hospital de São João da Madeira. Já tinha sido operado por duas vezes no Hospital São Sebastião e em São João da Madeira sentiu-se “bem acolhido” e “bem tratado”.

Começou a ser sujeito a uma hernioplastia inguinal a meio da manhã e deveria deixar a enfermaria ao final da tarde. O tempo de permanência no hospital é uma das grandes vantagens das cirurgias em ambulatório, explicou Alexandre Alves, médico, diretor da unidade de cirurgia de ambulatório são-joanense. Outra é o facto de o utente não estar em contato com doentes de outras patologias mais complexas, logo num ambiente menos propenso a infeções hospitalares. Do ponto de vista de gestão hospitalar, representa também “uma mais-valia”.

35 mil cirurgias em regime ambulatório é, para Miguel Paiva, administrador do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, onde se insere o Hospital de São João da Madeira, um número “muitíssimo significativo”, que demonstra a “alta capacidade produtiva” da unidade de cirurgia de ambulatório. Capacidade essa que se alia à “qualidade do trabalho que é feito”, atestada pela “excelência clínica” atribuída pela Entidade Reguladora da Saúde.

Em 2017, a unidade alcançou a maior produção de sempre, com mais de 4.300 cirurgias realizadas, e, desde a sua abertura em 2009, nunca teve uma produção inferior a 3.500 doentes operados. Na cirurgia em regime ambulatório “cumpre os tempos máximos de resposta garantida em todas as patologias”. As maiores dificuldades estão relacionadas com patologias tratadas com cirurgia do tipo convencional, com internamento, que derivam de “alguma dificuldade na gestão de camas na instituição”.

Miguel Paiva revelou que a aposta na unidade de cirurgia do Hospital de São João da Madeira é para continuar, na esperança de “pelo menos, igualar e, eventualmente, até superar” os números do ano passado.

O Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga está a equacionar novas soluções organizativas que possam promover a atividade cirúrgica e, muito brevemente vai alargar o leque de patologias a tratar, “mais complexas”, entre as quais a litíase vesicular, patologia do refluxo gastroesofágico, alguns tipos de cirurgia da obesidade e alguns casos de hérnia discal mais simples. “Com isso, estamos convencidos de que estamos a servir melhor a população, a resolver melhor os problemas do Centro Hospitalar e as dificuldades que tem e a cumprir o desígnio fundamental do Serviço Nacional de Saúde, que é ter a porta aberta a todos os cidadãos e conseguir resolver os seus problemas nos tempos que estão definidos”, sublinhou Miguel Paiva.

Para o administrador do Centro Hospitalar, os números alcançados em 2017 resultam do reforço do investimento na unidade de São da Madeira, que superou o “meio milhão de euros”, nomeadamente no reequipamento de algum material de apoio à cirurgia, e que contrasta com o investimento no triénio 2013-2015, que “em nenhum dos anos, atingiu sequer os 50 mil euros”.

“Estamos a continuar esse investimento e iremos ter aqui equipamento de laparoscopia”, adiantou Miguel Paiva, que possibilita intervenções cirúrgicas menos invasivas e com pós-operatório mais célere.

 

Utentes satisfeitos

Esta unidade conta as especialidades de Cirurgia Geral, Oftalmologia, Ginecologia, Ortopedia, Cirurgia Plástica, Otorrino e Urologia. A Cirurgia Geral, com mais de 12 mil utentes operados, foi a que mais contribuiu para as 35 mil cirurgias realizadas desde 2009. Seguem-se a Oftalmologia com 10 mil, a ortopedia com mais de seis mil e a ginecologia com cinco mil.

Há utentes que dão a cara pela forma como foram tratados na unidade e pelas melhorias significativas na sua saúde. Murilo Rainho foi operado a uma hérnia em 2009 e sentiu melhoras. Não deixou de opinar que “a fusão com o Hospital de Santa Maria da Feira não foi a melhor para São João da Madeira” e lamentar que um familiar tenha estado “dois anos à espera de uma consulta de reumatologia” e as longas esperas na urgência do “São Sebastião”.

Cristina Lestre fez uma cirurgia na área da oftalmologia em 2010 que “correu bem”. Elogia, sobretudo, o acolhimento dos profissionais e as condições que encontrou na unidade.


Concelhos - Abril 13, 2018

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