Este ano, o Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira tem uma curadora de curtas-metragens. A brasileira Karen Black tem experiência na área, mas esta é a primeira vez que assina a programação completa de curtas-metragens de um festival. “O que me deixou muito feliz, é sempre muito bom e estimulante poder pensar um grande conjunto de filmes como um todo. Há anos que acompanho o Luso-Brasileiro, um dos festivais mais queridos pelos realizadores brasileiros, e poder fazer parte da equipa foi um presente”, conta ao donline.pt.
Karen Black, que iniciou a curadoria de cinema em 2002 num cineclube mensal de curtas-metragens no Rio de Janeiro e que desde então colabora com diversos festivais no Brasil, partilha os critérios que guiaram a seleção feita para a 21.ª edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro, que decorre até domingo no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira.
O que realmente foi importante e valorizado nesses filmes para serem escolhidos, para fazerem parte da programação? “Penso que é o próprio conjunto dos filmes que indica o melhor recorte para a seleção, como se houvesse escondida, subliminarmente, uma linha que costura os filmes”, responde. Karen Black trabalha na montagem de filmes. Um trabalho, explica, “de construção de sentido através das imagens, selecionando cada trecho e o lugar a ocupar”.

Karen Black assina a programação das sessões competitivas de curtas-metragens do Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira
“Alguns temas repetiam-se muito nos filmes, como o estatuto das imagens de arquivos pessoais e ‘found footage’, reflexões acerca do crescimento das cidades e questões identitárias, então não houve como escapar a eles. Mas as sessões não são de forma alguma temáticas, são variadas, com documentário, ficção, experimental, animação… O eixo que sustenta os filmes juntos é mais fluido, pode ser uma metáfora, como correnteza, por exemplo”.
O cinema português e o cinema brasileiro. Há pontos de contacto, há zonas de divergência? Claro que sim. “Isso ficou bastante claro ao ver o conjunto dos filmes, que andamos pensando sobre as mesmas coisas. Aflora os grandes temas universais, como a família, por exemplo, que tocam a todos. Podemos ver muito presente a emergência de novos territórios, chamados periféricos, mas que hoje se impõe como centrais, como paisagem comum ao cinema dos dois países”. “E, no Brasil, essa expansão se dá também atrás da tela, numa democratização da produção das imagens, com filmes de novíssimos realizadores de várias partes do país. Espero que isso permaneça e que Portugal também possa caminhar nesse sentido”, refere.
Vale a pena continuar a fazer cinema em qualquer lado do Atlântico, em qualquer parte do mundo, na sua opinião. “Para mim, o cinema ainda é a grande expressão humana, que contempla a visão crítica do mundo e também a fabulação da existência”. “É uma leitura e escrita do mundo”, sublinha Karen Black.
Palavras-chave: Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, Karen Black
- Abril 12, 2018
