Do Inha ao Carvoeiro em Canedo nascerá um passadiço com vista para o Douro

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Não tem a exposição pública de que gozam os passadiços do Paiva em Arouca, do Uíma em Fiães ou da Barrinha em Esmoriz, mas inspira quem gosta de tranquilidade, dá uma sensação de frescura em dias quentes, porque serpenteia a margem esquerda do rio Inha, em Canedo, até ao encontro do Douro, a joia da coroa do turismo nortenho. Estamos a falar de um corredor com aproximadamente 2,5 quilómetros de extensão (cinco quando percorrido nos dois sentidos), a que não será muito apropriado chamar-lhe passadiço, porque parte dele é em alcatrão e outra parte em paralelos e terra batida, sempre lado a lado com o rio, protegido pelo frondoso arvoredo que sobe a encosta.

 

Percurso de 2,5 quilómetros lado a lado com o Inha que termina onde se encontra com o Douro. Tem bancos para repousar e sentir a paisagem, ver os patos a sobrevoarem o rio e os peixes aos saltos na água.

 

É um percurso plano, parte dele com iluminação pública, pontuado em todo o seu trajeto por vários bancos de madeira que permitem repousar, apreciar a paisagem e o autêntico espelho de água, aqui e ali sacudido pelo esvoaçar dos patos ou pelos saltos das bogas e das carpas que povoam o rio e atraem os pescadores. Alguns desses bancos, papeleiras e outro mobiliário urbano já exibem sinais perfeitamente dispensáveis de vandalismo.

Nesse percurso pela margem ribeirinha do Inha é frequente ver-se pescadores a lançar o anzol com destreza e esperam que a cana dê sinal. Pesca-se de tudo o que o rio pode dar, bogas, carpas e até enguias. Um dos pescadores com quem nos cruzámos garantiu já ter assistido à pesca de “um peixe com 13 quilos”.

O Inha foi, em tempos, um local privilegiado para a prática de canoagem, mas o clube que dinamizava a modalidade deixou de ter atividade. Ficou a memória.

 

Um dia – neste ciclo autárquico – será prolongado até Carvoeiro na margem do Douro

Este percurso termina onde o Inha encontra o Douro. Dá de caras, mais adiante com o parque de campismo de Medas na outra margem.

Um dia, não muito longínquo, irá ligar à margem esquerda do Douro até ao antigo porto de Carvoeiro, Aldeia de Portugal, outrora um importante entreposto comercial onde chegava sal vindo do sul, carvão do interior e paravam passageiros e barcos que transportavam Vinho do Porto. Hoje, é um lugar idílico, sossegado, que procura renascer e combater o isolamento de que padece há décadas. Dizem que vai ter um cais de acostagem para barcos que navegam Douro acima e abaixo, mas Carvoeiro sabe que esse dia pode demorar a chegar, apesar dos planos e dos rabiscos em folhas de papel que alimentam a esperança.

O presidente da Junta da União de Freguesias de Canedo, Vale e Vila Maior, Paulo Oliveira, revela que o projeto de arquitetura desse cais de acostagem e demais infraestruturas está pronto na Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Segue-se o projeto das especialidades e, não menos importante, garantir financiamento comunitário para sair do papel.

O prolongamento do corredor do Inha até ao Porto Carvoeiro será em madeira, pedonal e ciclável, que subirá e descerá encostas sem perder o Douro de vista, numa extensão de mais 2,5 quilómetros aproximadamente. “Estamos a estudar o melhor percurso, para contatarmos os proprietários e a Câmara poder iniciar a elaboração do projeto”, afirma Paulo Oliveira.

“É uma obra para ser fazer ao longo deste mandato”, crê o autarca que um destes dias esteve sentado à mesa com Emídio Sousa, presidente da Câmara, para colocar o dossiê entre as prioridades, até porque consta dos planos de atividades da Junta e do Município.

Serão cinco quilómetros (10 nos dois sentidos) de vistas fantásticas. Um marco distintivo no território, “não diria de Canedo, mas de todo o Concelho”, acrescenta Paulo Oliveira, considerando ter chegado a hora de Canedo e Santa Maria da Feira deixaram de estar de costas voltadas para o Douro.

   

 

Como chegar?

Chega-se lá pela EN-222. Quem vem de Castelo de Paiva ou da Lomba, uma vez atravessada a ponte sobre o Inha, pouco depois vai encontrar um primeiro corte à esquerda, onde existe uma pequena placa indicativa. Quem vem de Santa Maria da Feira e atravessa o centro de Canedo, segue a EN-222 e vai vislumbrar o acesso à direita cerca de 300 metros antes da ponte. Ao sair da Rua Principal está a entrar na estreitíssima Rua do Ribeirinho que vai descer até encontrar o rio. O carro pode ficar logo por aí.

Fica o aviso: o maior inconveniente deste percurso é permitir a circulação de automóveis. É certo que não são muitos, mas não se surpreenda se der de caras com algum. A explicação reside no facto de ser o único acesso que os proprietários dispõem para chegarem aos seus terrenos para retirarem a madeira.


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- Abril 3, 2018

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