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Museu da cidade mostra esculturas guardadas há mais de meio século

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É um tesouro que esteve guardado durante mais de meio século nas acanhadas instalações do espaço museológico e que agora está à vista de todos. O Museu de Ovar expõe esculturas do seu acervo numa mostra patente até 7 de abril. São esculturas em gesso e em bronze, sobretudos das décadas de 40, 50 e 60 do século passado, carregadas de histórias.

Obras de escultores e artistas como Alberto Carneiro, Leopoldo de Almeida, Teixeira Lopes, José Rodrigues, Raul Xavier, Carlos Amado, António Duarte, Henrique Moreira, Lagoa Henriques ou o escultor ovarense, natural de Arada, Luís de Matos que, como o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, realçou, “teve papel decisivo na preparação da exposição” – referindo-se ao contributo deste escultor ligado ao museu desde muito jovem, como artista, na identificação de algumas obras do acervo e no restauro. Há algumas peças expostas que têm uma relação umbilical com esculturas espalhadas pelo país, a exemplo da Câmara do Porto ou do Tribunal de Évora, cujos autores deram ao Museu de Ovar o privilégio de preservar tais memórias em gesso ou terracota.

A inauguração da exposição foi marcada por apelos emotivos aos autarcas para que olhem com mais atenção para o Museu de Ovar e todo o seu vasto património artístico e cultural. “Quando há dinheiro para Serralves, e o Museu de Ovar vive a precisar de receitas para evitar riscos que possam pôr em causa todo o seu acervo… é criminoso”, referiu Manuel Cleto. Luís de Matos,  por seu turno, lembrou que desde o 25 de Abril “nunca houve administração local que desse atenção a isto, que já existia no Museu de Ovar há mais de 50 anos”, referindo-se ao vasto lote de peças de escultura agora expostas. “Temos peças dos melhores autores do século passado”, acrescentou.

“Estou no meio de emoções”, referiu José Fragateiro, presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente Pereira, a propósito das intervenções que o antecederam sobre os “poucos apoios”, mas ficou a “esperança” de tais desabafos serem escutados em prol do Museu de Ovar. Vítor Amaral, vereador do PS sem pelouro na câmara ovarense, para quem o Museu de Ovar “é arte viva”, prometeu abordar a falta de apoios ao museu numa reunião de câmara.

A inauguração da exposição foi animada pelo Grupo de Baladas Nostalgia a quem, em nome da direção do museu, Manuel Cleto entregou um diploma de reconhecimento pela colaboração prestada. Ainda a propósito da preservação de memória, ficaram as palavras poéticas de Aurora Gaia sobre um catálogo da “Seção Etnográfica” do Museu de Ovar editado em 1965 que, na sua opinião, “merece ser reeditado”. Ficou o apelo.


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Concelhos - Março 24, 2018

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