Rodrigo Nunes: “O Feirense é o maior clube entre o Douro e o Tejo”

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Uma pequena pedra de granito ao nível da relva com a inscrição “1918”. Um círculo de onde despontam mais nove pedras que vão crescendo até à pedra maior, com seis metros de altura, que descreve um ângulo de 90 graus, como que apontando ao céu. É assim o monumento que este domingo é inaugurado às 11h00 numa faixa de terreno entre a Rua 1º de Maio e a EN-223. Concebido por Rui Oliveira, de Milheirós de Poiares, simboliza o crescimento de um clube que nasceu pequeno, cresceu e, dentro de quatro anos, muito provavelmente, vai estar entre os “sete ou oito” maiores de Portugal.

Rodrigo Nunes leva 17 anos de presidência do Feirense, talvez o período mais marcante dos 100 anos de existência do Feirense. Não querendo julgar em causa própria, lembra onde estava o clube em 2001, futebolisticamente, em modalidades praticadas e em termos de infraestruturas.

“O Feirense é, hoje, o maior clube entre o Douro e o Tejo”, disse o presidente, por estes dias, num programa da Rádio Águia Azul, onde se sentou ao lado de outros dois símbolos do clube, com os quais tem laços familiares – Luís Nunes, do Conselho Geral e ex-presidente do Clube, e Henrique Nunes, ex-jogador e treinador.

O complexo desportivo de Sanfins foi, para Rodrigo Nunes, o “segredo” do crescimento do Feirense. E é lá que o dirigente vai concentrar as atenções nos próximos quatro anos. Na calha estão investimentos entre quatro a cinco milhões de euros, com base em receitas “geradas no clube”. Um pavilhão com cinco naves – quatro para treinos e uma para competição – para as modalidades (o futsal e o badminton poderão vir a enriquecer o leque), servido por bancadas amovíveis com capacidade para mil lugares sentados, uma piscina, dois campos relvados de futebol de sete, e a exploração da pista de atletismo e do campo do Sanfins ao abrigo de uma parceria com o Município, vão permitir que o clube tenha em atividade 1.200 atletas.

Independentemente das vicissitudes desportivas, os investimentos nas infraestruturas não sairão dos planos. As contas estão feitas. A venda de Rafa ao Braga e a sua posterior transferência para o Benfica vão render aos cofres do clube 1, 7 milhões, a alienação de um terreno valeu 150 mil euros, a urbanização de Picalhos, com 50 por cento da área ainda por vender, gerará mais valias. Está bem encaminhada a venda de 10 mil metros quadrados de terreno adjacente ao complexo desportivo para a instalação, ao que se sabe, de uma loja Decathlon. “As contas são transparentes. O Feirense vai fazer, porque tem condições para o fazer”, explica.

Perguntámos pelos desejos que formula para os próximos 100 anos do Clube. Rodrigo não parou para dar a resposta: “Que se consiga manter por muitos anos na I Liga. Que tenha estatuto de «primeira», que custou muito a atingir, e a conclusão do complexo desportivo. Podemo-nos perpetuar na I Liga e estar entre os sete ou oito maiores clubes portugueses”.

 

Centenário com Museu no Estádio; José Carreras não vem, mas podem vir os Il Divo; uma corrida, um livro dos 100 anos e uma banda desenhada com a história do Clube

 

O Feirense nasceu a 18 de Março de 1918. Este domingo completa 100 anos. Entre as 10h00 e o meio dia, é lançado o selo comemorativo, junto ao Estádio. A inauguração do monumento, às 11h00, é um dos pontos altos das comemorações que prosseguem ao almoço, no Europarque, com mais de 500 convivas à mesa. Atendendo ao mau tempo, o espetáculo piromusical anunciado para a noite foi cancelado.

As comemorações do centenário vão prolongar-se até ao fim do ano. E, nesse período, deverá nascer o Museu do Feirense em pleno Marcolino de Castro, num espaço elevado, por cima da bilheteira. Em estrutura metálica e vidro, será uma autêntica varanda para o relvado, um palco privilegiado para comentadores desportivos de televisão em dias de jogos grandes. Será publicado o livro do Centenário, uma banda desenhada para levar a história e o fervor do Feirense às crianças das escolas. Uma corrida a 28 de Abril e um espetáculo no Europarque, no mês de junho. Jose Carreras era o nome desejado, mas o cantor lírico não dará concertos em 2018. O quarteto multinacional Il Divo é, agora, uma forte possibilidade

 

Tudo começou em 18 de março de 1918, como Associação Desportiva Feirense

O Clube foi fundado em 18 de março de 1918, com a designação Associação Desportiva Feirense e só no final dos anos 20 ganharia a denominação que hoje tem.Luís Amorim, Artur Bastos, Luís Cadilon e Artur Lima foram os seus fundadores. Alcides Machado o primeiro presidente. Em 1924 estreou o campo de Picalhos, próximo da Linha do Vouga, com uma vitória sobre o Lourosa, por 2-1.

Dois anos depois começava o processo que conduziria à construção de um novo campo de futebol no Montinho, inaugurado em 2 de março de 1931, com um jogo entre a Selecção de Aveiro e o FC Porto. Foi nessa altura que o Feirense passou a vestir de azul, já que, até aí, equipava de camisola listada de vermelho e preto.

O primeiro campeonato que disputou foi em 1931, na divisão inferior do Distrital e perdeu 4-1 no campo do Cortegaça.

O seu primeiro emblema foi desenhado por António Ferreira da Costa.

Subiu ao Nacional da 3ª Divisão em 1959/1960, inaugurou o atual Estádio Marcolino de Castro e estreou-se na 1ª Divisão em 1962/1963, inaugurou o seu relvado natural em 1987 e chegou às meias finais da Taça de Portugal em 1990/1991, obrigando o FC Porto a um segundo jogo.

Em 2004 inaugura a primeira fase do seu complexo desportivo de Sanfins e mais recentemente requalificou o seu Estádio.

Esta é a sexta época que o Feirense compete no principal campeonato português.


- Março 17, 2018

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