Catarina e Alexandre: os tasqueiros da Feira que fazem brilhar a comida tradicional portuguesa – e já são falados lá fora

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Há dois anos, Catarina e Alexandre abriram os Tasqueiros Sem Lei, uma tasca à moda antiga, no centro histórico de Santa Maria da Feira, na porta 33 da Rua Dr. Roberto Alves. Na carta, comida genuinamente portuguesa e uma seleção de vinhos de pequenos produtores. E um estilo inconfundível que vestem da cabeça aos pés, dos anos 20 do século passado, a lembrar a lei seca, Al Capone. Catarina usa touca, blusa, saia comprida, avental com folhos. Alexandre veste lacinho ao pescoço, colete, e boina na cabeça.

São tasqueiros sem lei, com certeza, com pratos que andam na boca de muita gente. Foram um dos restaurantes selecionados nas escolhas de 2017 da revista Evasões e mais recentemente surgiram no jornal espanhol La Voz de Galicia, numa reportagem sobre os novos ventos que sopram na gastronomia portuguesa. Esta casa de petiscos feirenses não passou despercebida aos nossos vizinhos.

“É uma casa típica portuguesa, apostamos no produto português, com uma carta de vinhos fora do baralho, de pequenos produtores”

Aconteceu tudo muito de repente. A jornalista e o fotógrafo do jornal espanhol viram a placa no exterior, espreitaram, acharam piada ao nome, falaram com o casal de tasqueiros, fotografaram-nos, e a peça acabou publicada no país vizinho. Alexandre explicou-lhes o conceito. “É uma casa típica portuguesa, apostamos no produto português, com uma carta de vinhos fora do baralho, de pequenos produtores”, refere. Vinhos de várias regiões: Douro, Dão, Bairrada, Região dos Vinhos Verdes, Alentejo, Setúbal.

A comida está nas mãos de Catarina numa cozinha sem portas com balcão onde os clientes podem almoçar, jantar, ou petiscar. Dali saem migas de bacalhau, bochechas de porco, sopa de nabiça, sandes de salpicão do cachaço, pataniscas de bacalhau, fígado de vitela em cebolada, filetes de polvo. “A nossa cozinha é extraordinária e valorizamos o que é nosso. As pessoas não sabem a complexidade de fazer cinco marinadas diferentes ou juntar uma calda de açúcar com gemas a ferver”, diz Catarina.

Sopa de pedra, migas de bacalhau, canja de galinha, rojões com arroz de feijão, papas de sarrabulho, bochechas de porco, leite-creme, são alguns dos pratos dos Tasqueiros Sem Lei

A mão para a cozinha deve ser coisa de família. Catarina lembra-se da comida da avó Isabel, mãe do seu pai, daquele gosto da comida tradicional. Não aprendeu a cozinhar com a avó, mas esses pratos surgiam à mesa lá em casa. “O meu pai insistia em trazer esses sabores lá para casa”, recorda.

Comida tradicional portuguesa, sem sombra de dúvida, servida em malgas e louça de barro. Aos sábados, há sopa de pedra e migas de bacalhau. Aos domingos, canja de galinha e bola de carne. Às quintas, rojões com arroz de feijão. Às sextas, papas de sarrabulho. Na sobremesa, há leite-creme, bolo de chocolate, fogaça com queijo da serra e compota de abóbora. Os tasqueiros fazem questão de ir buscar os produtos à fonte. Procurar as melhores carnes, os melhores enchidos, os melhores queijos, os melhores vinhos. O senhor Sidónio é o fiel fornecedor dos legumes mais frescos e que ditam de que será feita a sopa do dia.

Catarina, de Santa Maria da Feira, e Alexandre, do Porto, conheceram-se no curso de Gestão Hoteleira na Escola de Turismo do Porto. Trabalharam em várias partes do mundo. Catarina esteve em Barcelona, Londres, Luanda. Em Portugal, passou por Évora, Algarve e Mondim de Basto. Alexandre trabalhou em Barcelona, Cabo Verde, Luanda, Tenerife e esteve no Algarve. Há dois anos, lançaram-se numa aventura por conta própria. E começam a colher os frutos da ideia e do trabalho.


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- Fevereiro 25, 2018

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