Quem anunciou a morte da rolha de cortiça enganou-se. A Forbes esteve em Santa Maria da Feira, visitou empresas, e escreveu um artigo

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Os tempos mudaram. A rolha de cortiça teve a corda na garganta e muitos acreditaram que o seu fim estava próximo. Muito próximo. O século XXI começava e o presente da rolha de cortiça era bastante negro. As vendas desciam a pique e os vedantes alternativos – de alumínio, plástico e vidro – começavam a penetrar no mercado. Mas a rolha resistiu e deu a volta por cima.

Um jornalista da Forbes, conceituada revista de negócios e economia norte-americana, a publicação que elabora a lista dos mais ricos do mundo, com sede em Nova Iorque, veio a Portugal visitar o setor e esteve em várias empresas de cortiça do concelho de Santa Maria da Feira. O artigo saiu este mês e fala como a rolha voltou a respirar. A constatação assenta em dados da Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), instalada em Santa Maria de Lamas, concelho da Feira, o maior polo transformador de cortiça em todo o mundo. E do que viu pelos próprios olhos.

As exportações de cortiça cresceram 30% entre 2009 e 2016, representando um crescimento anual de 4%.

A Forbes começa o artigo com os prenúncios do fim da rolha feita em cortiça. “A queda da cortiça havia sido prevista várias vezes no passado. Em 1993, o crítico de vinhos do New York Times, Frank J. Prial, previu que ‘1993 pode ver o início do fim da rolha da garrafa de vinho’. Em 2002, Randall Grahm de Bonny Doon Vineyard na Califórnia e o escritor britânico de vinhos, Jancis Robinson, participaram num ‘Funeral da cortiça na cidade de Nova Iorque’, onde, sobre um manequim construído em cortiça numa vigília simulada, elogiaram a morte das rolhas de cortiça natural”. Há outros exemplos de quem previu a morte da rolha de cortiça.

O mundo da cortiça tremeu no início da primeira década do século XXI. Afinal, 70% da produção estava então centrada nas rolhas. E 2008 foi um ano particularmente duro, apontado como o mais difícil.

A Forbes veio conhecer o setor, um dos mais pujantes da economia nacional, onde nasce a cortiça e onde é transformada. E verificou que os números voltaram a subir. “De acordo com a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), as exportações de cortiça cresceram 30% entre 2009 e 2016, representando um crescimento anual de 4%”. O jornalista abre parênteses. “Dos sete países do Mediterrâneo que produzem cortiça, Portugal tem um terço de todas as florestas de cortiça, enquanto a Espanha tem um quarto, Portugal exporta dois terços dos produtos de cortiça processados, enquanto a Espanha exporta 17%”.

Segundo a revista, a mudança, ou seja este aumento das vendas, explica-se por vários fatores, entre eles, “um esforço agressivo e focado para reduzir a contaminação da cortiça, bem como um forte interesse no uso de cortiça nos mercados asiáticos”. Além disso, muitos vinhos já não conseguem viver sem uma rolha de cortiça.


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- Fevereiro 13, 2018

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