Opinião

Joana Vieira

Diretora Pedagógica do Colégio de Lamas

A Escola continua a olhar para trás?

Criar a escola do futuro requer uma mudança profunda no modo de entender a ação educativa e o papel da escola, uma verdadeira transformação que tem como meta formar cidadãos para um mundo global, tecnológico, feito de incertezas, de imprevisibilidade e de mudanças contínuas.

Como fazer essa transformação? Há experiências educativas e modelos pedagógicos inovadores muito relevantes que facilmente podem servir de farol para quem navega ainda nos velhos modelos escolares que nos chegam dos séculos XVIII e XIX, completamente desfasados da realidade do século XXI. As escolas que olham para trás continuam a agir como há 40 ou 50 anos, mas os alunos que aí chegam têm uma nova e diferente forma de lidar com o conhecimento que lhes é apresentado fora do contexto escolar, de uma maneira muito mais cativante e motivadora.

Por isso, a escola tem de se transformar, a construção do conhecimento tem de ter uma nova dinâmica, em oposição ao velho modelo de currículos disciplinares prescritivos, partindo para formas de trabalho de projeto curricularmente integrado. Elas terão de permitir aos alunos mobilizar, aplicar e construir conhecimentos e competências absolutamente essenciais para a sociedade do futuro, como o pensamento crítico, a inovação, a resolução de problemas, a comunicação, a cooperação, a criatividade, a proatividade e a liderança.

“Por isso, a escola tem de se transformar, a construção do conhecimento tem de ter uma nova dinâmica, em oposição ao velho modelo de currículos disciplinares prescritivos, partindo para formas de trabalho de projeto curricularmente integrado”

As escolas mais inovadoras desenham novos modelos escolares abertos ao mundo em mudança, com alunos mais predispostos para aprender e para desenvolver competências matemáticas, linguísticas, artísticas, digitais e sociais, afirmando-se pessoas verdadeiramente integradas no século XXI. Essas escolas são incubadoras de mudança, são foco de inovação e de intervenção num mundo de desafios globais. A forma como organizam os currículos, os horários, os espaços, o trabalho dos professores, a investigação, a tecnologia e a aprendizagem autónoma conduz à formação de pessoas socialmente participativas, críticas e construtivas, integradas na sua comunidade, solidárias e com mais oportunidades de sucesso na sua trajetória pessoal e profissional.

“As escolas que não olham para trás, as mais inovadoras, experimentam a transformação, adotando metodologias de mudança e de inovação das práticas pedagógicas”

As escolas que não olham para trás, as mais inovadoras, experimentam a transformação, adotando metodologias de mudança e de inovação das práticas pedagógicas. Sem revoluções, mas com evoluções, identificam o modelo que querem construir e vão em busca do seu próprio caminho. Criam soluções, estratégias, ferramentas e planeiam ações para a melhoria das aprendizagens dos alunos, apostando na autonomia, no uso da tecnologia e do digital, no desenvolvimento de projetos e na construção do conhecimento pelo próprio aluno.

O propósito é enriquecer todo o processo educativo e alcançar aprendizagens plenamente sucedidas e adequadas à sociedade contemporânea, na qual os desafios são constantes, criando líderes do futuro.


Opinião - Janeiro 12, 2018

pub

Mais Opiniões

A espuma educativa I

Carlos Nuno Granja

Professor do 1.º Ciclo, escritor

Adeus à Caixa Geral de Depósitos… ou não!

Filipe Moreira

Eleito da CDU na Assembleia Municipal da Feira

A espuma cultural III

Carlos Nuno Granja

Professor do 1.º Ciclo, escritor