O concerto Filarmonia no Fado, com a fadista Sandra Correia e as quatro bandas filarmónicas do Concelho deram o pontapé de saída no programa da V Capital da Cultura do Eixo Atlântico, que vai desenrolar-se ao longo de todo o ano em Santa Maria da Feira.
A programação foi apresentada, um dia antes do concerto, no Castelo da Feira. Contempla 51 eventos a desenvolver durante 50 semanas de 2018 e vai custar 2,2 milhões de euros. O Município investe 480 mil euros e o restante será gerado por receitas próprias dos eventos e equipamentos culturais.
À programação associada aos grandes eventos do território, como as Fogaceiras, o Imaginarius, a Viagem Medieval e Perlim, juntam-se novas criações arquitetadas a pretexto deste acontecimento cultural transfronteiriço. É o caso do I Encontro do Cancioneiro Tradicional Galaico-Português Em.Com.Tradições, previsto para Setembro, que vai reunir músicos e grupos da eurorregião para promover a herança musical comum, as artes e ofícios em torno da construção de instrumentos musicais tradicionais, a investigação e a produção de conhecimento em música popular.
Nesse contexto, inserem-se ainda o colóquio Estudos Sobre Proto-História e Romanização do Noroeste Peninsular, em novembro, com enfoque na cultura castreja, o Seminário de Intercâmbio de Experiências no Âmbito da Cultura, em novembro, que visa partilhar boas práticas e a capacitação da administração local na área da Cultura, o concurso de arte urbana Urbanidades do Eixo, entre maio e outubro, e o Eixos (Ciclo de Teatro de Marionetas de Portugal e da Galiza), que vai ter lugar em Março.
O Festival de Cinema Luso-Brasileiro, que não se realizou em Dezembro de 2017, surge em Abril, e, para fevereiro e abril estão anunciadas as estreias absolutas do espetáculo de dança “A Matéria Move-se, mas não consegue escapar ao seu peso”, com a assinatura do Ballet Contemporâneo do Norte, e do espetáculo multidisciplinar Medeia, com a Companhia de João Garcia Miguel e a música original de Mário Laginha.
No campo da música, o pontapé de saída foi dado no último sábado com o concerto Filarmonia no Fado, que juntou no Europarque a fadista Sandra Correia e as quatro bandas filarmónicas do centenárias do Concelho. Um dos momentos mais singulares será o concerto do lendário guitarrista do Jazz Philip Catherine, que se apresenta em outubro com Duo Art, acompanhado pelo contrabaixista Martin Wind. Não faltarão concertos com nomes de primeira linha como Tiago Bettencourt (novembro), HMB (outubro), Dead Combo (novembro) Papercutz (novembro) Bookkeepers com a Orquestra Milheiroense (fevereiro), Filho da Mãe (outubro).
As recriações históricas, em que Santa Maria da Feira apresenta um percurso consolidado, são outra das notas de destaque da programação. Em abril recriam-se as Invasões Francesas e o Massacre de Arrifana, em julho saúda-se o “Regresso às Origens” no Castro de Romariz; em agosto a Viagem Medieval e em outubro decorrem as visitas encenadas ao Castelo da Feira.
Emídio Sousa diz que o desafio que se coloca ao setor cultural de Santa Maria da Feira é “disseminar e internacionalizar as suas criações”
A transversalidade é uma das características da programação que, segundo Gil Ferreira, vereador das Cultura feirense, se propõe “plasmar uma identidade comum” e “criar conexões na mancha urbana do Eixo Atlântico”.
Emídio Sousa, presidente da Câmara, assumiu a ambição de deixar a marca de Santa Maria da Feira na Capital da Cultura, uma oportunidade para “disseminar e internacionalizar as suas criações”, em particular as que têm como alavanca o Imaginarius Centro de Criação. É o próximo desafio depois de 20 anos de trabalho no setor da cultura. “Hoje, somos reconhecidos em Portugal e além-fronteiras, não apenas pela nossa vocação industrial e exportadora, mas também pela identidade cultural que fomos construindo e consolidando”, sublinhou. E, na linha do que também afirmou Xoan Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, presente na sessão, Emídio Sousa reiteraria que a cultura é “uma indústria de futuro e geradora de riqueza e de conhecimento”.
Secretário-geral do Eixo Atlântico exorta governo e câmaras a recuperar o caminho português de Santiago para em 2021 estar ao mesmo nível do francês que é percorrido por 400 mil pessoas por ano
Santa Maria da Feira sucede a Gaia, Ourense, Viana do Castelo e Matosinhos/Vila Real, como Capital da Cultura desta eurorregião, que engloba 38 municípios do norte de Portugal e da Galiza e que representa sete milhões de habitantes e que, como referiu Luís Salgueiro, autarca de Matosinhos e vice-presidente do Eixo Atlântico, se quer “afirmar na Europa e no Mundo”.
A programação da Capital da Cultura, que cruza a cultura popular e tradicional com a erudita, é para esta dirigente uma forma de “apostar naquilo que nos une e nas identidades de cada um”. “O Eixo Atlântico só continuará o seu caminho de sucesso se for capaz de pôr isso em evidência”, destacou.
O diretor regional da Cultura do Norte, João Ponte, sublinharia que sendo a cultura do norte de Portugal e da Galiza semelhante é “natural e saudável celebrar essa irmandade cultural”.
Na sessão, ecoou também o desafio do secretário geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, às autoridades portuguesas – Estado e câmaras – para que reabilitem o caminho português de Santiago, “o mais pobre” de entre os demais, ainda assim aquele que mais tem crescido nos últimos anos em número de peregrinos que o percorrem. “Que esta Capital da Cultura seja também um apelo ao governo, para que aproveite estes três anos para pôr o caminho português ao nível do francês”, disse, estimando que em 2017 tenha sido percorrido por mais de 400 mil peregrinos. E, nesse sentido, já existem estudos e levantamentos sobre o que falta fazer em cada um dos municípios atravessados.
foto: DR
Palavras-chave: Caminhos de Santiago, Carminho, Eixo Atlântico, Feira Capital da Cultura, Festival de Cinema Luso Brasileiro, Fogaceiras, HMB, Imaginarius, Perlim, Tiago Bettencourt, Viagem Medieval
- Agosto 27, 2017
